Emoções ruins?
Ultimamente algumas das falar que mais ouço na clínica é “quero viver SEM ansiedade” ou “QUASE todo mundo tem ansiedade, né?”, e minha resposta sempre gera um mini choque. Não trate seus sentimentos como vilões, muito menos como algo que chega “do nada”. Aceite a existência deles, de todos eles, compreenda-os, e aprenda a lindar com eles, e principalmente: suas causas e consequências. 🌻
ANSIEDADE
Isma Moura
7/14/20242 min ler
Emoções difíceis não são o problema. Fugir delas, sim.
A maioria das pessoas faz a mesma coisa quando surge uma emoção ruim: tenta se livrar dela. Distrai, evita, racionaliza, ocupa a mente com outra coisa. Às vezes funciona — por um tempo. Mas o que parece uma solução costuma ser exatamente o que mantém o problema no lugar.
Por que fugir das emoções não funciona
A Análise do Comportamento chama isso de evitação experiencial: o comportamento de tentar escapar ou suprimir experiências internas como pensamentos, memórias e emoções. O problema não é que a estratégia falha em aliviar o desconforto — ela funciona, no curto prazo. O problema é o preço cobrado a longo prazo.
Quanto mais você evita uma emoção, maior ela parece. E menor fica o espaço da sua vida onde você se sente segura para existir.
Pessoas que evitam ansiedade começam a evitar situações que podem causá-la. Pessoas que evitam tristeza param de se envolver em coisas que importam, porque importar-se significa arriscar perder. O repertório de vida vai diminuindo — não porque as emoções sejam intoleráveis, mas porque a estratégia de evitá-las tem um custo crescente.
O que a ACT propõe em vez disso
A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) não pede que você goste das suas emoções difíceis. Ela propõe algo diferente: que você mude a relação que tem com elas.
Aceitação, dentro da ACT, não é resignação. Não é dizer "está tudo bem" quando não está. É abrir espaço para o que você sente sem deixar que esse sentimento determine o que você faz.
Existe uma diferença entre ter ansiedade e ser controlada pela ansiedade. Entre sentir tristeza e deixar que a tristeza decida quais riscos você corre ou quais relações você permite.
Desfusão: ver o pensamento como pensamento
Uma das ferramentas centrais da ACT é a desfusão cognitiva — aprender a observar seus pensamentos e emoções em vez de se fundir com eles.
Quando o pensamento "não aguento mais" aparece, a tendência é tomar isso como fato e agir a partir dele. A desfusão propõe outra perspectiva: estou tendo o pensamento de que não aguento mais. O conteúdo é o mesmo. A relação com ele muda.
Isso não elimina a emoção. Mas cria um espaço entre o sentimento e a ação — e é nesse espaço que a escolha existe.
O que isso muda na prática
Não se trata de substituir emoções ruins por emoções boas. Trata-se de parar de organizar sua vida em torno de evitar o que você sente.
Quando isso acontece, a vida não fica sem dor — fica maior do que a dor.
Se você se reconheceu nesse padrão e quer entender como trabalhar isso em terapia, entre em contato pelo WhatsApp.
Desenvolvido por Nathalia Miranda


